domingo, 25 de maio de 2014

Concursos públicos do Estado do Rio Grande do Sul, de comprovação de registro no respectivo Conselho Profissional



Uma grande conquista aos profissionais registrados.

Lei Nº 14540 DE 21/05/2014

Publicado no DOE em 22 mai 2014

Dispõe sobre a exigência de comprovação de registro no respectivo Conselho Profissional, em concursos públicos do Estado do Rio Grande do Sul.

O Governador do Estado do Rio Grande do Sul.

Faço saber, em cumprimento ao disposto no artigo 82, inciso IV, da Constituição do Estado, que a Assembleia Legislativa aprovou e eu sanciono e promulgo a Lei seguinte:

Art. 1º Em concursos públicos do Estado do Rio Grande do Sul, fica exigida a comprovação de registro Conselho Profissional, quando a vaga for para cargo que exerça prerrogativas de profissões regulamentadas.

§ 1º Excetuam-se da exigência prevista no "caput" os cargos ou empregos públicos que, em razão da função a ser exercida, possuam impedimento total ou parcial, previamente estabelecido em lei e/ou em estatuto que regulamente a referida atividade.

§ 2º A exigência prevista no "caput" se dará no momento da posse no referido cargo ou emprego público.

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 21 de maio de 2014.

TARSO GENRO,

Governador do Estado.

Registre-se e publique-se.

CARLOS PESTANA NETO,
Secretário Chefe da Casa Civil.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Por que os alunos de economia se revoltaram (e o que querem)

Estudantes que apoiam o movimento pela reforma do ensino de economia se reúnem em Londres

Reproduzo na íntegra essa matéria, pois apoio incondicionalmente como economista e como professora. 

Manifesto assinada por 65 associações acadêmicas de 21 países pede para que "o mundo real seja trazido de volta" para as aulas de economia (publicado por revista exame)

"Não é apenas a economia mundial que está em crise. O ensino de economia também está, e as consequências disso vão muito além do âmbito acadêmico."
É assim que começa uma carta aberta assinada pelo ISIPE (sigla em inglês para Iniciativa Internacional de Estudantes para o Pluralismo Econômico) e divulgada no início do mês.

O grupo é formado por 65 associações de 21 diferentes países - entre eles Estados Unidos, Rússia, Índia e Reino Unido. O Instituto Nova Ágora, ONG que promove projetos de cidadania, assina pelo Brasil.

Os estudantes afirmam que o currículo da disciplina sofreu um "estreitamento dramático" nas últimas duas décadas e que isso prejudica a habilidade dos formados de encontrar soluções para os desafios do século XXI - como a "estabilidade financeira, a segurança alimentar e o aquecimento global".

Pluralismo

Eles pedem três tipos de pluralismo. O primeiro é teórico: a ideia é que o ensino deveria expor os alunos a perspectivas econômicas variadas - clássica, pós-keynesiana, marxista, institucional, ecológica, feminista - que hoje são excluídas em favor de uma visão única (a neoclássica).

Afinal, "ninguém levaria a sério um curso superior em psicologia que focasse apenas no Freudismo"

O segundo pluralismo é metodológico: a crítica é que hoje os estudantes só aprendem métodos quantitativos e nunca são expostos a métodos qualitativos que os fariam questionar seus pressupostos e conclusões.

O terceiro pluralismo é interdisciplinar: "economia é uma ciência social: fenômenos econômicos complexos raramente podem ser entendidos se apresentados em um vácuo, removidos do seu contexto histórico, político e sociológico."

Movimento

Esta não é a primeira iniciativa do tipo: a crise de 2008 causou um surto de reflexão em todas as facetas do mundo econômico, incluindo a educação.

Já no ano seguinte, o Instituto para o Novo Pensamento Econômico (INET) foi fundado com o apoio de figuras como George Soros e Paul Volcker. Entre seus objetivos está estimular a renovação da pesquisa e do currículo de economia.

Em 2011, estudantes de Harvard explicaram em outra carta aberta sua decisão de deixar o curso introdutório do professor Greg Mankiw.

No ano seguinte, estudantes da Universidade de Manchester começaram a Post-Crash Economics Society com o lema "o mundo mudou; a apostila, não". Outro grupo, o CORE-ECON, defende um ensino "como se as últimas três décadas tivessem acontecido".

Debate
Thomas Piketty, o economista francês que virou a sensação do momento com o livro "O Capital no Século XXI", diz que a disciplina "precisa superar sua paixão infantil por matemática e por especulação puramente teórica e com frequência altamente ideológica, em detrimento de pesquisa histórica e colaboração com outras ciências sociais".

Para o americano Paul Krugman, vencedor do Nobel de economia, a teoria keynesiana já trazia as ferramentas necessárias para diagnosticar e superar a crise financeira.

O ensino precisa rebalancear seu foco, sim, mas o problema maior foi que os políticos escolheram seletivamente as teses que cabiam nos seus interesses - como a de que austeridade levaria a crescimento no contexto de uma economia em depressão.

O manifesto do ISIPE diz que "a mudança será difícil - sempre é", mas a ideia é que assim como o ensino, o debate ultrapasse os muros da universidade.

Afinal, como escreveu o economista Paul Samuelson, "não me importo com quem escreve as leis de um país ou faz seus tratados, desde que eu possa escrever seus livros didáticos de economia."

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Chega! quero minha demissão.



Estar em um bom emprego, com bom salário, que te motive a aprender e crescer cada vez mais é o sonho de todos. Mas muitos empregos são verdadeiros pesadelos e faz com que nosso momento de parar e analisar seja imediato. Quero me demitir!. Obviamente que é uma situação delicada, mas se sentir desvalorizado, não estar num ambiente que se sinta bem e não ter perspectiva de crescimento financeiro e profissional, é o momento de tomar uma decisão. Para isso, é importante que sejam avaliados alguns aspectos para que não haja arrependimentos.

De acordo com a Coach Priscila Belizzi, o momento certo para pedir demissão é o momento em que você verifica que não tem mais paixão pela atividade que desempenha. Um profissional só responderá bem a suas demandas se gostar de seu trabalho e do que faz.
Ao analisar a continuidade ou não no atual emprego, é essencial que o profissional leve em consideração os seus valores, além do plano de carreira, diz Ylana Miller, professora do Ibmec.

O autoconhecimento é fundamental. Gostar do que faz não é suficiente. Cada um de nós tem valores, que devem ser respeitados ao realizarmos as nossas escolhas profissionais. Ser feliz ou ser “confortável”? Sair da zona de conforto e seguir a sua missão deve ser algo planejado.

Antes de tomar qualquer atitude mais radical, o profissional precisa verificar se no organograma da empresa há possibilidade de migrar para uma outra área que possibilite uma nova perspectiva pessoal dentro da companhia, uma área em que, além de promover um crescimento pessoal e profissional, permita que tenha uma visão mais ampla da cultura organizacional. Outro passo essencial antes de sair definitivamente da empresa, é averiguar se você tem uma reserva financeira para poder ter maior liberdade de escolher iniciar um novo negócio seu, empreender ou voltar ao mercado e analisar novas oportunidades de emprego.

O jornal El Clarín publicou mais alguns sinais que indicam a hora de buscar um novo emprego, leia e verifique se você está nessa situação:

A atividade que você exerce já não faz você vibrar, se sente entendiado e contando os minutos para chegar a hora de voltar para a casa;

Se não fosse o fato de depender do salário para pagar as contas no fim do mês, você já teria se aventurado a buscar novos caminhos;

Seus colegas de trabalho o irritam. É certo que nem todas as pessoas se dão perfeitamente bem, mas o ideal é que se busque a harmonia com os outros para conseguir fazer bem o seu trabalho.
O ambiente é desagradável. Todos enfrentam altos e baixos no trabalho, mas o descontentamento pode sinalizar um ambiente de trabalho deprimente ou mesmo o de uma empresa em perigo. Um ambiente de trabalho ruim reflete a cultura de toda uma empresa.

Se o seu trabalho atual não permite que você avance em direção às suas metas nem te oferece perspectivas para o curto, médio ou longo prazos, é melhor mudar para um outro trabalho que o coloque em um caminho mais claro.

Suas ideias não são levadas a sério, você não tem oportunidade de crescimento na empresa, o chefe te ignora, teus companheiros de trabalho te evitam, a empresa não te incentiva com cursos ou seminários, você foi deixado de lado na hora das promoções, te excluem de projetos e reuniões estratégicas. Então, por que continuar desperdiçando seu tempo, energia e boas ideias com esta organização?

Se não se sente valorizado. Um profissional merece levar crédito por seus êxitos. O reconhecimento é importante e as boas companhias implementam programas para que os funcionários saibam que são valorizados. Caso não sinta tal contrapartida no seu emprego atual, procure uma empresa que valoriza seus talentos.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Portabilidade de crédito entra em vigor nessa segunda-feira



Uma novidade passa a vigorar a partir dessa segunda-feira no sistema financeiro brasileiro: é a portabilidade de crédito. Ou seja, você poderá verificar as instituições que tem linhas mais atrativas para o tipo de empréstimo que você possui e migrar, incluído empréstimo habitacional com recursos do FGTS.

As regras já haviam sido regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional no final do ano passado, mas apenas entraram em vigor hoje. As regras valem para todos os tipos de crédito: consignado, crédito pessoal, financiamento de imóveis e de automóveis, entre outros, e até mesmo aqueles com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Essa medida irá estimular a concorrência entre os bancos e possibilitar uma redução nas taxas de juros em todas as operações.

Conforme as normas, tudo será feito de forma eletrônica pelos bancos, não tendo custos adicionais, uma vez que os bancos estarão proibidos de cobrar custos de transferência. Cabe salientar que a portabilidade não é refinanciamento. Na portabilidade o valor financiado e o prazo se mantém iguais, o que muda são os custos. Vale ressaltar que estes custos precisam ser bem analisados. Não só taxas de juros inclui no chamado CET (Custo Efetivo Total) que engloba, ainda, tarifas, impostos, seguros e outras despesas cobradas dos clientes. No caso do crédito imobiliário, também há custo com cartórios que é importante verificar. Peça a proposta por escrito, assim, você poderá verificar se será vantajoso ou não fazer a portabilidade.

A regulamentação ainda garante aos clientes a agilidade no processo. As instituições das quais os clientes estão saindo terão um dia útil para disponibilizar as informações solicitadas, com saldo devedor das operações de crédito, número do contrato, modalidades e taxas de juros cobradas, entre outras. Também terão cinco dias para fazer uma contraproposta ao cliente.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Crimes de corrupção - mais uma denúncia


Tempo 93 - março

Como sabem, sou uma economista perita e tenho atuado em crimes econômicos e financeiros. recentemente um Laudo meu foi objeto de uma denúncia para a Revista Tempo/ MG. Leia abaixo na íntegra a reportagem. espero que gostem.

DENÚNCIA - História mal contada

Vereadores e população reclamam que o prefeito petista César Emílio deixou a cidade, literalmente, no vermelho. Entretanto, ele responde dizendo que é tudo balela e tudo não passa de perseguição da imprensa

Capitão Enéas, há 64 quilômetros de Montes Claros, parece ainda preservar os velhos costumes do município que um dia foi chamado de Burarama e que, hoje, é conhecida como a Cidade das Avenidas ou Joia do Sertão Norte-Mineiro. O povo pacato, de sorriso largo e acomodado pela tranquilidade do local, diz amar a cidade. Não estranhe se alguém lhe cumprimentar apenas pelo fato de estar passando pela mesma calçada. Isso se traduz em educação, prazer pela vida e, principalmente, acolhimento.

No último censo, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, foram registrados 14.206 habitantes. São pessoas que ainda sonham com o progresso definitivo e esperam por maiores ações do poder público em fomentar a empregabilidade e renda do eneapolitano. Entretanto, desde que o atual prefeito César Emílio (PT) assumiu a Prefeitura, em 2013, a realidade começou a mudar de direção. É isso o que dizem os moradores entrevistados pela TEMPO. Agora, a população está desanimada em querer vencer na vida por ali, pois os sinais de mau uso do dinheiro público interrompem qualquer desejo de dias melhores.

Foi diante de graves indícios de improbidade administrativa que a Câmara de Vereadores de Capitão Enéas contratou uma Auditoria para identificar possíveis irregularidades dentro da Prefeitura. A decisão foi tomada depois que o prefeito César Emílio se recusou a explicar sobre o quanto era gasto e de como era aplicado os recursos da cidade. “Na Lei Orgânica do Município, diz que o prefeito é obrigado a prestar contas bimestralmente. Mas ele não prestou. Então, depois de seis meses da sua posse, nós pedimos a prestação, mas fomos informados que não iria fazer porque vereador não tem a capacidade de fiscalizar as contas do município”, diz o vereador Petrônio Mineiro de Souza (PDT).

A recusa do chefe do Executivo levantou suspeitas não só dos parlamentares, que compõem o plenário da Câmara, mas sobretudo dos moradores que aguardavam pelo início dos trabalhos do novo prefeito. “Acionamos o Ministério Público, e o promotor Guilherme Roedel Silva estabeleceu o prazo de dez dias para que a Prefeitura entregasse a prestação de contas”. De acordo com Mineiro, já existiam desconfianças que desvio de verbas e gastos exagerados estavam acontecendo por ali. “Como explica um depósito de R$ 100 mil realizado na conta de um funcionário da Santa Casa?”, questiona.

Auditoria

Com Auditoria concluída, a perita Simone Magalhães – economista perita judicial e extrajudicial, também integrante da Agência Brasileira de Investigações e Perícias – entregou um relatório que revela sérios sinais de crimes contra o patrimônio público. A maioria se refere à prestação de contas e a gastos do prefeito e outros funcionários públicos. Além de supostos repasses irregulares de verbas para entidades e pessoas físicas. “Se há irregularidades na prestação de contas, pode ter irregularidade nos gastos. Para tudo que é feito na administração pública é preciso comprovantes. Isso, em muitos casos, não aconteceu ou foi realizado de forma errada”, explica a perita. Ela já foi professora da Unimontes e do Pitágoras. Hoje, dedica-se ao curso de doutorado na área e em administrar os escritórios da Magalhães Perícias, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.

No relatório entregue por ela, as 12 páginas apontam ordens de pagamentos dos quais geram dúvidas quanto à legalidade deles. No caso da verba repassada ao funcionário do Hospital Santa Casa, no valor de R$ 100 mil, o dinheiro foi depositado na conta do diretor da instituição, Carlos Eduardo Prates Fonseca. “Só que o empenho fornecido pela Prefeitura mostra que o depósito havia sido da Secretaria de Saúde para uma conta própria do hospital. O que não é verdade. O depósito foi numa conta pessoal”, informa Simone Magalhães.

Em entrevista para a TEMPO (box), o prefeito César Emílio disse que o procedimento foi autorizado pelo Ministério Público. Entretanto, o advogado Farley Menezes, especialista em Direito Público e Eleitoral, é taxativo: “Induvidosamente se trata de um ilícito administrativo. O MP não tem poder para autorizar ou não o gestor público. A gestão financeira do poder público deve ser conduzida com base na lei 4.320, que é a Lei de Finanças Públicas. A prática é proibida”.

O polêmico repasse dos R$ 100 mil para a conta do diretor só foi uma das suspeitas de má gestão levantadas pela Auditoria. Além de deixar a saúde em situação fragilizada, a educação em Capitão Enéas também é pauta para reclamações.

Obras e salários sem prazos cumpridos

Construído na gestão passada, o Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei), da rua Alencastro Guimarães, foi entregue à população no final de 2012 pelo prefeito da época, Reinaldo Teixeira (PTB). A escola funcionou até ser interditada pelo Ministério Público. Para o órgão, faltavam alguns ajustes para que o educandário pudesse oferecer segurança à criançada. Segundo o vereador Darcy Fernandes da Silva (PDT), o patrimônio está abandonado há mais de um ano, pois a administração petista ainda não tratou de adequar à instituição de ensino aos moldes que o Ministério da Educação exige. “É vaidade política, pois a escola foi construída pelo prefeito anterior. Agora as crianças tiveram que voltar para a escola antiga ‘Tia Fia’, que também não tem boa estrutura”, denuncia Silva.
Já o secretário adjunto de Educação, Pedro Henrique, garante que a licitação para as obras está em andamento. “Apenas cerca de 79% das obras estavam concluídas. Ele foi fechado por questão de segurança. Mas não estamos demorando para reativar o Cemei. É um processo lento mesmo”, justifica.

O vereador Darcy Fernandes também denuncia atrasos de pagamentos dos funcionários: “Na realidade é o seguinte, o que for certo eu voto a favor, o que for errado eu sou contra. Inclusive, sentei com ele (prefeito) para conversar sobre os pagamentos atrasados dos servidores da Santa Casa. Até hoje eles não receberam o décimo terceiro nem o salário referente ao mês de fevereiro”. Os funcionários da Santa Casa confirmam o problema e fixaram cartazes na porta da instituição pedindo o pagamento dos atrasados.

Em abril do ano passado, o prefeito Cesar Emílio decretou a intervenção do hospital. Com isso, a administração da Santa Casa se tornou responsabilidade exclusiva do município. Mas a atitude, que deveria beneficiar os funcionários e pacientes, piorou a situação do local. Como divulgado por Darcy Fernandes, o pagamento não está em dia, e a paciência do trabalhador chega ao limite. Duas funcionárias municipais, que pediram sigilo absoluto da identificação por medo de serem demitidas, jogaram denúncias no ventilador.

Elas afirmaram que emprego, na Prefeitura, só consegue quem tem ligação direta com os poderosos (prefeito, secretários diretores). “É verdade que atrasam salário, sim. Se pelo menos pagasse bem... Mas o que recebemos é muito pouco”, reclama uma delas. Outra denúncia apontada pela dupla foi a situação de abandono de alguns patrimônios, como o Ginásio Poliesportivo. A TEMPO foi até o local e constatou o abandono do lugar.”O Ginásio, assim como outros prédios, foi pintado de vermelho, mas nenhuma reforma foi realizada. Os banheiros estão entupidos, as janelas e portas foram removidas. O pior é que aqui não serve para mais nada. Não tem jogos, nem mesmo eventos escolares. A Prefeitura não realizou nenhum torneio”, revela a servidora.

Grande parte dos habitantes de Capitão Enéas também reprovou a nova cor predominante nas obras públicas da cidade, onde o vermelho sangue reina absoluto. Coincidência ou não, é a mesma cor da bandeira do Partido dos Trabalhadores. Nem todos sabem, mas a prática é ilícita e se for apresentada uma denúncia ao Ministério Público, César Emílio e seu secretariado podem ter mais um problema a ser explicado pela frente.

Prefeitura prejudica comércio local

O giro de capital na cidade de Capitão Enéas vai de mal a pior. É o que revela os comerciantes do lugar. Ainda de acordo com o vereador Petrônio Mineiro de Souza, a Prefeitura tem optado em adquirir produtos e serviços em outros municípios, deixando o vendedor local de mãos abanando e bolsos vazios. “O combustível usado em todos os veículos do município é comprado num posto de Francisco Sá e é transportado de forma irregular e insegura até Capitão Enéas”, detalha Mineiro.

Quem comprova o longo período de vacas magras é a empresária Magda Maria Ferreira Borges. “O comércio parou do ano passado para cá”, alega. Magda tem uma papelaria de pequeno porte e não vislumbra crescimento no negócio. “Em reunião feita na ACI, vimos que realmente é impossível concorrer com nossos fornecedores. Mas a Prefeitura poderia criar programas de incentivo para fazer o dinheiro circular”, opina. “A única mudança que o atual prefeito fez foi a criação de uma Bolsa Material Escolar. Famílias de alunos da rede municipal recebem uma verba para a compra do material. Em agosto do ano passado, tivemos um bom reflexo. Fora isso, não teve mais nada. A cidade está fraca. Fraca e feia com tudo pintado de vermelho”, acrescenta.

Diferentemente da sensação de estar esquecida pela administração pública, outra comerciante, Jane Maria de Oliveira Castro, não tem tanto motivo para reclamar, já que o Relatório de Análise Financeira e Patrimonial da Auditoria aponta que ela recebeu o pagamento no valor de R$ 4.105,80, referente a um atraso da administração anterior. O curioso é que a empresária, atualmente, trabalha na Prefeitura como chefe de Gabinete: “Quando recebi este pagamento, achei estranho, porque não vendi nada para a Prefeitura. É claro que sei que não posso vender e nem participar de licitações”.

Ela responde que durante a administração passada, sua padaria fornecia alimentos para a administração. Como o ano de 2012 teria sido fechado com uma dívida, o prefeito César Emílio logo quitou o débito da funcionária que exerce cargo de confiança. Vale lembrar que Jane Maria, até dois meses atrás, exercia o cargo de vereadora, eleita pelo PT. Deixou o cargo para outro companheiro do Partido e assumiu a chefia de Gabinete na Prefeitura.

Falando em funcionários de confiança, outro secretário, Genivaldo Fernandes de Souza, chefe da pasta de Administração, também tem o nome citado, pela Auditoria, só que desta vez o problema se refere à repasse de verbas sem justificativas.

De acordo com o relatório, em junho de 2013 a Prefeitura passou R$ 3.504,55 ao secretário, contudo não há número da nota de empenho. Ou seja, o pagamento foi feito ao nome de pessoa física de Genivaldo Fernandes referente às diárias de uma viagem a Brasília. Mas não foram apresentados os comprovantes de despesa. Procurado pela reportagem, Fernandes preferiu deixar as explicações a cargo de César Emílio, que estava em viagem a Belo Horizonte durante o período da produção desta reportagem.

Para se ter uma ideia, em apenas quatro meses foram gastos R$ 16.105, 52 mil com diárias de viagens. Em todas elas não foram justificados os motivos das viagens, o meio de transporte e, sobretudo, os comprovantes de despesas. Por telefone, o prefeito César Emílio disse, claramente irritado, que para cada uma das acusações existiam documentos para comprovar que tudo não passava de perseguição. Perguntando pela TEMPO onde estariam os documentos, Emílio mandou que a equipe de reportagem procurasse. Além de recusar informações para os vereadores, para a Auditoria, o petista também não se mostrou intimidado diante da imprensa.

Sobre a atitude do chefe do Executivo de Capitão Enéas, o advogado Farley Menezes é categórico: “A transparência é um dos princípios da Lei de Responsabilidade Fiscal. O gestor público que se recusar a disponibilizar informações e acesso a documentos comete ato de improbidade administrativa”.

No Relatório de Análise Financeira e Patrimonial indicou supostas irregularidades de pagamentos feitos à Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais – Emater. Duas ordens de pagamentos, uma no valor de R$ 5.564,14 e outra de R$ 10.558,11. No entanto, não havia nenhum documento que comprovasse o recebimento. Contudo, o extensionista agropecuário Rogério Max Ferreira Nascimento apresentou todos os recibos referentes às ordens de pagamentos da Prefeitura, incluindo os citados acima. “Este dinheiro que vem pra cá cai direto na conta da matriz em Belo Horizonte”, explica.

Onde está o assessor?

Procurado para responder pelo prefeito ausente, o assessor de comunicação da Prefeitura Municipal de Capitão Enéas, Waldo Ferreira, por incrível que pareça, é mais ausente que o próprio César Emílio. Nem mesmo o guarda responsável pela recepção da Prefeitura conhece Waldo Ferreira. Assim como os vereadores daquela cidade, que mal sabem que existe este cargo no município. E o salário pago para Ferreira, segundo denúncias, é o mesmo dos secretários que cumprem horário naquela casa, cerca de R$ 5 mil.

Em busca de melhor orientação para esclarecer as denúncias e apresentar as documentações que desmentem as acusações contra a Prefeitura, a TEMPO entrou em contato com o assessor. Por telefone, ele disse que não poderia nos atender, pois estava trabalhando em um outro emprego. Além de outra atividade, o assessor Waldo Ferreira também é editor-chefe do jornal DAQUI. Criado em 2008, inicialmente o impresso defendia os interesses do ex-prefeito Athos Avelino (PSB). Durante quatro anos foi usado para atacar a administração de Luiz Tadeu Leite (PMDB), pessoas ligadas a ele e formadores de opinião de Montes Claros.

Agora, serve de Oposição para atingir o atual prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz (PRB). Ferreira também é visto, constantemente, participando das reuniões na Câmara de Montes Claros, às terças-feiras de manhã. Ele seria um dos integrantes e fundadores do Movimento Ocupa Câmara, que é umbilicalmente ligado ao Partido dos Trabalhadores.

Quando perguntado se ele estava pelo menos em Capitão Enéas, a ligação de Waldo Ferreira caiu. O celular, desde então, só responde na caixa postal. O próprio secretário de Administração, Genivaldo Fernandes, confirmou as denúncias recebidas: “Ele passa muito mais tempo em Montes Claros do que em Capitão Enéas. “Ele mora em Montes Claros”, diz. O prefeito César Emílio confidenciou a alguns colegas do próprio Partido que só contratou Waldo Ferreira a pedido do deputado estadual Paulo Guedes (PT). O que é negado pelo parlamentar.

Contratar “funcionários fantasmas” também é um crime de improbidade administrativa, é o que garante o advogado Farley Menezes: O exercício de cargo público é sempre regulado pela lei que o criou. Se o agente público recebe sem a contraprestação, resta caracterizada uma indevida apropriação de recursos públicos. Se o ato é cometido com dolo, com intenção de provocar dano ao Erário, resta caracterizado o cometimento de crime. Conforme o cargo que exerce o agente, pode se tratar de crime responsabilidade, crime de responsabilidade fiscal ou até mesmo peculato”.

Respostas do prefeito

Por telefone, César Emílio respondeu, de maneira claramente irritada, sobre as denúncias apresentadas. Ciente de cada uma delas, ele respondeu como se nada fosse problema, que tudo se passava por uma perseguição pessoal da nossa reportagem:

Tempo: Como o senhor justifica o depósito de R$ 100 mil direamente na conta pessoal do diretor da Santa Casa, sendo que deveria ser depositado na conta jurídica do próprio hospital?
César Emílio: Primeiro é o seguinte, essa Auditoria, que foi feita na Câmara, é totalmente irregular. Mas sobre este detalhe, o hospital está sob intervenção do Ministério Público. Ele (MP) autorizou a gente a intervir a Santa Casa e que eu fosse o gestor. Como a Santa Casa não tem condição nenhuma de receber recursos, se colocar R$ 1 milhão é bloqueado, fomos autorizados a colocar um diretor lá dentro. Então, não é só R$ 100 mil. Todo mês mandamos dinheiro, senão o hospital fecha.

Tempo: Quem é este gestor?
César Emílio: É uma pessoa completamente capacitada para exercer a função, Carlos Eduardo. Mas ele não está mais na Santa Casa. Ele já saiu da função.

Tempo: Mas agora a Santa Casa está sem comando?
César Emílio: Agora, estamos nomeando um novo gestor, que vai ser nomeado daqui alguns dias. Mas não tem nada irregular nisso. Estão querendo inventar história. Vai lá na Secretaria de Saúde e procura estes documentos tudo. O Ministério de Saúde autorizou a gente. (A obrigação de fornecer documentos ao cidadão cabe à Prefeitura. Não é a imprensa que tem que correr atrás das provas que limpem a barra da administração).

Tempo: E em relação às diárias que não foram justificadas? Têm gastos de mais de R$ 16 mil...
César Emílio: Na lei das diárias fala que só o deslocamento já comprova gastos. Não tem que comprovar nada, não. Não tenho que trazer recibo de hotel, restaurante etc. Isso se chama reembolso. Agora estou em Belo Horizonte trabalhando, e você acha que eu vou vir de quê? Vou andar de quê? Vou comer o quê aqui?

Tempo: Sobre as lavagens de veículos do município com preços que chegam a R$ 300. Como explica este valor absurdo?
César Emílio: Não é uma simples lavagem de carro. Quanto você acha que custa para lavar um ônibus. Uma guariba (lavagem completa) custa cerca de R$ 150. Imagina nos ônibus que vão para a zona rural? Vocês estão com picuinha demais, num acha não, ‘amigo véi’?

Tempo: Nós também conversamos com Jane Maria...
César Emílio: Jane tem uma conta lá. É uma divida da administração passada que eu paguei. Qual o problema?

Tempo: O comércio aqui reclama que você tem comprado produtos e serviços nas outras cidades, como o combustível que vem de Francisco Sá. Por que prefere não gastar aqui?
César Emílio: A legislação não me permite favorecer ninguém. A empresa tem que ter preço e qualidade para pegar a licitação. Capitão Enéas só tem um posto de combustível, você sabia disso?

Tempo: E o Cemei que está parado todo este tempo em que o senhor está na Prefeitura, por que ainda não reformou?
César Emílio: Foi comprovado um desvio de R$ 300 mil da administração passada durante a construção. A obra de 2009 não está terminada, tem risco gravíssimo de acidente e eu recebi só o caco. (O ex-prefeito Reinaldo Teixeira riu da declaração e informou que 97% da obra estava pronta e só foi não concluída porque ele saiu da administração. Ele negou a acusação).

Tempo: Mas é uma escola muito bonita e conservada. Vai deixar a obra parada?
César Emílio: A casca está bonita, mas quem interditou não foi eu, foi o Ministério Público. E não estamos demorando para consertar. O recurso para reformar é do município. Vamos ter que gastar aproximadamente R$ 300 mil, dinheiro que dá para construir outra escola. Já demos início ao processo de licitação. (O ex-prefeito Reinaldo Teixeira riu da declaração e informou que 97% da escola estava pronta, que um Cemei como este, custa, em preços atuais, quase R$ 2 milhões. Os dados seriam do próprio governo federal. Teixeira disse ainda, que a obra e só foi não concluída porque ele saiu da administração. Ele negou a acusação).
Antes de encerrar a entrevista, o prefeito voltou a acusar os dados de serem inválidos. “Essa Auditoria que foi feita não tem valor externo, não serve para nada. Essas auditorias que você contrata uma empresinha, por mais idônea que ela seja, ela não pode ser divulgada em jornal, revista. Eu não estou entendendo aonde vocês querem chegar com isso. Minha situação está limpa. Eu ralo pra “c....”, está tudo certinho. Se for pra me desgastar, vocês estão indo na linha errada. Eu não vejo vocês fazendo essas investigação em Montes Claros”, finaliza.

Encontro com o prefeito
Depois da entrevista concedida por telefone, o prefeito César Emílio (PT) esteve na sede da Revista TEMPO e reafirmou que as denúncias são infundadas e não passam de perseguição por parte de vereadores da Oposição, como Petrônio Mineiro (PDT). Disse ainda que a auditoria da Câmara é ilegal e foi feita sem licitação. Acusou a Magalhães Auditoria de não pegar, propositalmente, todos os documentos que comprovassem a legalidade dos atos da administração pública. Questionado sobre o Assessor de Imprensa, Waldo Ferreira, que raramente é visto no trabalho, ele confirmou que o emprego do jornalista na Prefeitura foi um pedido do deputado estadual Paulo Guedes (PT), mas que ele será exonerado do cargo daqui alguns dias. Para a próxima edição, a TEMPO aguarda os documentos que o prefeito prometeu entregar. Todo o material será entregue para o Ministério Público para comprovação da veracidade.











terça-feira, 1 de abril de 2014

A Copa vista de dois lados



A copa do mundo no Brasil está sempre rodeada de muitos mistérios, falta de informação e infinitas obras inacabadas que podemos ver nesse nosso país a fora. A maior bandeira levantada para que a copa fosse no Brasil era a economia que seria gerada, ou seja, as empresas iriam investir, gerar empregos, se especializar para receber turistas. O governo iria investir em infraestruturas que ficariam de legado para a população, como disse nosso ex-presidente Lula "O Brasil vai investir em infraestrutura até 2014 o que não investiu em 30 anos", mas as coisas não são bem assim.

É esperado 600 mil turistas estrangeiros e 3 milhões de turistas domésticos durante a copa, que injetariam R$ 25 bilhões na nossa economia. Para um PIB de US$ 2,2 trilhões, o impacto, mesmo se confirmados esses valores, seria quase imperceptível. O que pode ser esperado é um impacto positivo na nossa reputação para o turismo e maior visibilidade, mas isto a longo prazo.

Claro que uns ganham. Os hotéis, as empresas de publicidade, bares, restaurantes e locadoras de veículos estão brindando. Ainda, a exposição de marcas como a Adidas, Oi e Coca-Cola que estarão patrocinando o evento será gigante. Para as construtoras já não será significativo pois as obras já estarão finalizadas (assim esperamos). As empresas aéreas ficarão no empate, pois teremos um aumento significativo no fluxo, mas ao mesmo tempo os preços estão controlados, impedindo superfaturamentos, o que não deixa de ser uma vantagem boa mesmo assim. Obviamente que os brasileiros vão sofrer com um transito bem mais complicado, com possíveis protestos e a baixa produtividade nas empresas em função das paradas nos horários dos jogos, sem falar nos feriados da Copa.

Por mais que se faça muito movimento sobre os investimentos em infraestrutura, ele representa míseros 0,7% do investimento total para a Copa. Mas precisamos ser otimistas, pois são esses investimentos que deixarão o chamado legado da copa. Vamos ter algumas estradas melhoradas, portos e aeroportos melhores estruturados para oferecer uma melhor logística, podendo assim ajudar a fortalecer a competitividade brasileira. Então agora vamos torcer para que tudo dê certo e que possamos colher os melhores frutos da Copa do Brasil.

terça-feira, 25 de março de 2014

Economistas e alunos de ciências econômicas precisam ler essa carta.



CARTA ABERTA DOS PROFESSORES DO CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS DAS FACULDADES INTEGRADAS SANTA CRUZ DE CURITIBA A TODOS OS ECONOMISTAS DO BRASIL

O curso de Ciências Econômicas foi regulamentado no Brasil em 13 de agosto de 1951, pela Lei nº 1.411. Esta lei estabeleceu as normas de sua organização, através dos Conselhos Federais e Regionais de Economistas Profissionais. Porém, bem antes dessa institucionalização, ainda no século XVIII, o estudo da ciência econômica já se demonstrava fundamental, inclusive para o entendimento de outras áreas. Na verdade, é possível considerar que, ao longo da História, o pensamento econômico foi importante para nortear as dinâmicas financeiras e políticas das sociedades.

Por exemplo, por volta do ano 1700 a. C., José do Egito interpretou o sonho do Faraó e foi convidado a administrar o Reino do Baixo Egito. José coordenou a construção de “cidades silos”, organizou a produção agrícola sem precedentes na época, comprou o Alto Egito para o Faraó, utilizando como moeda produtos agrícolas. Para isso, conheceu as questões políticas do Egito, seus costumes, os períodos de produção e a fertilidade das terras. Não utilizou escravos, e sim trabalho assalariado. Em resumo, além de fazer gestão, utilizou conhecimentos econômicos sobre as necessidades produtivas e de consumo da época.

No Brasil contemporâneo, as motivações para se tentar entender melhor a Economia são inúmeras: a preocupação com as finanças familiares, a necessidade de compreender a gestão pública, a intervenção estatal na economia, os planos econômicos e reestruturações produtivas do país, o que produzir e como produzir, o comportamento dos agentes econômicos. O conceito de Economia não passa “pela administração de recursos escassos?”. Pois bem, os raciocínios inerentes a essa disciplina estão, pois, presentes nas decisões do consumidor, das pequenas, médias e grandes empresas, nos processos produtivos, na utilização de fatores, ou seja, nas funções de consumo e de produção.

Atualmente, todos os meios de comunicação possuem espaços econômicos. Na imprensa falada e escrita, em rádios, jornais e portais virtuais, sempre há um economista se posicionando perante realidades, mudanças ou impactos de determinadas medidas no meio social. Nunca, também, se comentou tanto sobre economia. A preocupação com os juros, a variação dos indicadores das bolsas de valores, as finanças pessoais tornaram-se temas correntes de debate, e a educação financeira hoje ocupa destaque em todos os meios de comunicação. Porém não observamos economistas se posicionarem sobre as questões de produção no sentido microeconômico, sobre a competitividade, sobre custos de produção. Parece que isso ficou à cargo da administração, mas não são ciências isoladas.

Nesse mesmo sentido, o mercado editorial está repleto de títulos sobre o tema. Muitos deles, inclusive, viraram best-sellers, como o despretensioso Freakonomics, de autoria do Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner, autores que ensinaram multidões a abordar a ciência econômica de uma forma lúdica e simples. Contudo, de modo geral, pode se afirmar que ainda haja falta de publicações sobre temas que contemplem economia de empresas, no sentido de possibilitar os empreendedores a entender mais sobre as potencialidades de produção, sobre a prática da economia do trabalho na empresa, sobre o mercado, etc. Em outras palavras, as publicações econômicas são prevalentemente teóricas e não práticas.

Embora o ambiente atual seja fértil para discussões econômicas, os números do censo do Ensino Superior brasileiro mostram uma realidade perversa: a cada ano, menos alunos cursam Economia.

Em 1995, o número de alunos matriculados nos cursos de ciências econômicas das Instituições de Ensino Superior - particulares, estatais ou federais - era de 67.664; em 2011, esse número caiu para 51.498. Houve diminuição de 24% no número de matriculados no curso de Economia. Número que toma dimensões alarmantes, quando confrontado com os dos dados do ensino superior em geral: no mesmo período (1995-2011), o número de matriculados no ensino superior como um todo aumentou em 227%. Esse foi, precisamente, o período em que os cursos superiores no Brasil, de modo geral, se expandiram de forma vertiginosa.

Passando à análise específica dos cursos de Economia das instituições privadas, constatamos uma queda ainda maior do número de ingressantes. De 1995 a 2011, o número de alunos matriculados caiu em 55%. Ou seja, perderam-se mais da metade de matriculados em economia, enquanto os outros cursos das ciências sociais aplicadas atingiam números expressivos de alunos.

Esta realidade é sentida em todos os estados brasileiros. O número de cursos de Ciências Econômicas tende a diminuir. Nas IES particulares, então, é praticamente um desafio achar cursos de Economia ainda ativos. Somente na cidade de Curitiba, em 2000, existiam oito estabelecimentos que ofereciam o curso. Já em 2014, somente quatro IES conseguem formar turmas de calouros com um número mínimo de alunos matriculados.

Vivemos, portanto, um cenário contraditório: por um lado, a profissão e a aplicação dos conhecimentos que ela fornece estão em franca evidência; por outro, poucos são os jovens que querem ser economistas.

Acreditamos que grande parte do problema de falta de demanda pelos cursos superiores de Economia resida em nós mesmos, economistas. Não há clareza, para o possível candidato ao curso, sobre o que um economista realmente faz. Em todas as opções possíveis de atuação divulgadas pelos órgãos de classe (planejamento, orçamento, análise de viabilidade, finanças, análise de tendência, serviço público), há ainda a falta do pragmatismo que é evidenciado em outras profissões de áreas do conhecimento afins à nossa. Afinal, a percepção dos jovens candidatos não raro caminha por noções genéricas: um Contador faz balanços e um Administrador, administra. O que faria, então, um economista? Economizaria?

A suposta falta de apelo da nossa profissão é, muito provavelmente, não mais que falta de informação sobre o que realmente o economista pode e deve fazer. Algo que se resolveria facilmente ante, por exemplo, a uma ação mais efetiva de todos os órgãos de classe. Anualmente, desenvolvem-se simplesmente as mesmas ações de divulgação da profissão, já sem efeitos plausíveis. Ao mesmo tempo, a ausência do aporte constante de novos economistas ameaça até mesmo a sustentabilidade econômica desses órgãos, que existem graças às anuidades pagas pelos profissionais registrados.

Dentro da mesma problemática, o próprio mercado de trabalho, pouco entende da utilidade da profissão de um economista. As ofertas de vagas de trabalho, dadas pelos setores de Recursos Humanos, pouco fazem referência à profissão nas suas ofertas, o que desmotiva, evidentemente, qualquer aspirante à carreira.

Ao longo dos 18 anos de funcionamento do curso de Ciências Econômicas em nossa faculdade, nós, professores, lutamos de todas as formas para conseguir reverter a daninha realidade manifesta na diminuição de demanda pelo nosso curso. Efetuamos mudanças na matriz curricular (obviamente, sem comprometer as Diretrizes Nacionais do Curso), oferecemos ênfases em disciplinas e assuntos interessantes ao mercado, realizamos eventos de divulgação. Sem maiores efeitos, porém.

Do mesmo modo, procuramos atuar nas mídias sociais e promover a participação maciça do nosso quadro de professores na imprensa, a fim de divulgar a importância da Economia e do economista. Pouco esses esforços rendem, contudo, sem o franco e efetivo apoio da classe.

Economia é uma ciência social aplicada, mas carrega uma multidisciplinaridade não encontrada em outras profissões. Este é um caminho que ainda não foi explorado.

O objetivo desta carta não é apontar culpados pela queda do número de alunos que cursam economia, e sim acender uma chama de esperança, destacar a necessidade de ação nesse sentido. Revalorizar a profissão de economista é uma tarefa a ser compartilhada por todos os que a amamos. Cursos de Economia do Brasil, economistas atuantes, conselhos de classe, professores e alunos do curso serão devidamente compreendidos e respeitados, se todos trabalharmos por isso. Precisamos urgentemente voltar a colocar a nossa profissão dentre as escolhas para jovens que ingressam na universidade.

E se esta carta servir de reflexão para o início de uma mudança, ela terá cumprido, desde já, o seu objetivo.


Atenciosamente,

Professores do Departamento de Economia das
Faculdades Integradas Santa Cruz